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Design como Governança e as lições de estratégia da Apple

  • Foto do escritor: Igor Baliberdin
    Igor Baliberdin
  • 14 de jan.
  • 2 min de leitura
Uma rua cheia de computadores e uma montanha ao fundo

Durante muito tempo, design foi tratado como acabamento — algo que vinha depois da estratégia, depois da engenharia, depois da decisão. A história da Apple demonstra exatamente o oposto: design, quando levado a sério, é uma forma de tomar decisões de negócio. Duras, excludentes e, frequentemente, impopulares no curto prazo.


Por volta de 2010, quando a web ainda girava em torno do Flash, a Apple tomou uma decisão que parecia quase arrogante: não suportar a tecnologia em seus dispositivos móveis. O argumento público falava de desempenho, bateria e segurança. Tudo verdadeiro. Mas o ponto central era outro.


Ao rejeitar o Flash, a Apple não escolhia apenas uma tecnologia diferente — definia que tipo de ecossistema queria construir, quais experiências considerava aceitáveis e, principalmente, quais compromissos não assumiria.


Esteve Jobs apresentando o primeiro iPhone há 15 anos atrás
Lançamento do iPhone 1 há 15 anos atrás

O impacto foi estrutural. Interfaces mais responsivas, experiências mais previsíveis, controle ampliado sobre o sistema operacional. Ao mesmo tempo, forçou o mercado a se mover: desenvolvedores migraram para HTML5, e a própria web foi redesenhada. Não foi uma decisão estética. Foi estratégica, usando o design como meio para reorganizar o futuro do negócio.


Steve Jobs sempre tratou esse tipo de escolha como essencial. Para ele, dizer não era tão importante quanto dizer sim. O foco não estava em agradar todos os públicos, mas em construir produtos coerentes com uma visão clara. O design funcionava como lógica de coerência entre tecnologia, experiência e posicionamento — cada decisão eliminava possibilidades, e era justamente isso que tornava a Apple distinta.


A recente parceria com a Google para integrar o Gemini segue a mesma lógica. Em vez de competir na corrida por modelos fundacionais ou lançar algo imaturo apenas para marcar presença, a Apple integra-se a um parceiro estratégico, preservando seu foco: experiência do usuário, privacidade e controle da camada final.


O foco não estava em agradar todos os públicos, mas em construir produtos coerentes com uma visão clara.

Novamente, uma decisão de negócios que se materializa em design. A forma como a IA aparece — ou não aparece — nas interfaces, o quanto ela é invisível, assistiva e contextual, revela a escolha: a tecnologia não é o produto final; o produto é a experiência. O design traduz essa decisão estratégica em algo compreensível e utilizável.


Iphone em destaque com o Gemini na tela do aparelho

Esse pensamento separa empresas não pelo tamanho, mas pela maturidade estratégica. Enquanto muitas tratam design como execução visual ou tendência estética, outras o utilizam para tomar decisões difíceis, alinhar organizações e construir vantagem competitiva sustentável.


A lição que atravessa a era Jobs e chega às decisões atuais da Apple é simples e exigente: design não é sobre escolher cores ou interfaces atraentes. É sobre escolher que futuro você está disposto a construir — e quais caminhos deixar para trás para chegar lá.



Você, C-Level e conselhos: sua empresa usa design para decorar ou tomar decisões que mudam o jogo?



 
 
 

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